
26.01.2026
Não será um debate ideológico clássico. Será a escolha entre fortalecer ou corroer os pilares que nos sustentam enquanto sociedade livre e democrática
A história mostra-nos que a democracia raramente cai de um dia para o outro. Ela é minada aos poucos, normalizando o discurso autoritário, relativizando os ataques às instituições, aceitando a mentira como método político e o medo como ferramenta de mobilização. É assim que a exceção se torna regra e que a Constituição passa de garantia comum a obstáculo a contornar.
Dizer que ‘todos são iguais’ ou que ‘a política não interessa’ é um luxo que só existe enquanto a democracia funciona. Quando ela começa a falhar, o custo da indiferença é pago em liberdades perdidas, direitos fragilizados e cidadãos reduzidos à condição de espetadores. A neutralidade, nestas circunstâncias, não é prudência: é cumplicidade.
Nesta segunda volta das eleições presidenciais, não discutimos direita ou esquerda. Essa é a distração preferida de quem lucra com o ruído. O que está em causa é algo mais grave: um ataque sistemático à democracia, feito não com tanques, mas com palavras grotescas, sorrisos ensaiados e mentiras repetidas até parecerem verdades promovendo uma nova narrativa.
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