
22.01.2026
A vitória de António José Seguro na primeira volta das presidenciais e a passagem de André Ventura colocou o país perante um teste que não admite ambiguidades. Passaram à 2ª volta um candidato com um percurso de responsabilidade, diálogo e compromisso com a Constituição e um candidato da extrema-direita que fez da deslegitimação das instituições, da provocação permanente e do ataque aos 50 anos de democracia o seu projeto político. Perante este cenário, o silêncio do PSD não é neutro. É um erro político colossal e um risco democrático.
Luís Montenegro teve a oportunidade de afirmar, sem ambiguidades, que quando a democracia é desafiada não se fica em cima do muro. Ao recusar apoiar António José Seguro, o PSD envia uma mensagem perigosa aos seus eleitores: a de que o centro-direita democrático está à mesma distância de um candidato constitucionalista e de um candidato que quer implodir o regime democrático. Esse sinal só facilita transferências de voto para a extrema-direita.
Mas, na verdade, só se surpreende quem quer. Luís Montenegro é isto. Sempre foi isto. Sem rasgo, sem visão, apenas tática. Reduz a política a um jogo de curto prazo, feito de silêncios calculados e conveniências momentâneas. Um tacticismo que não só acabará por sair caro ao PSD, como, mais grave ainda, fragiliza o sistema político e normaliza, ainda mais, a narrativa do Chega.
Este teste à maturidade democrática acontece num contexto internacional particularmente exigente. Basta olhar para a atitude de Donald Trump face à Gronelândia. Tratar um território soberano como objeto de desejo estratégico, insinuar anexações ou trocas geopolíticas como se o direito internacional fosse um detalhe, revela uma visão do mundo baseada na força e no unilateralismo. O que hoje é dito sobre a Gronelândia ajuda a perceber o que Trump pensa da Europa: um espaço a condicionar, pressionar ou dividir. A resposta europeia não pode ser hesitante. A defesa da soberania, das regras internacionais e da democracia não é seletiva nem conjuntural.
É também neste quadro que deve ser lido o debate sobre o acordo UE–Mercosul. Os agricultores europeus não temem a concorrência; temem a concorrência desleal. Comércio justo não é comércio cego. Para Portugal, o acordo representa uma oportunidade real de acesso a novos mercados, sobretudo para setores como o vinho, o azeite e os produtos agroalimentares. Mas só será credível se as salvaguardas forem aplicadas de forma rigorosa, rápida e eficaz. O verdadeiro debate já não é ser a favor ou contra o acordo. É garantir que a Europa cumpre as suas próprias regras e protege quem produz.
Em momentos de pressão interna e externa, a resposta não pode ser o silêncio, a ambiguidade ou o calculismo. A democracia exige escolhas claras. E hoje, em Portugal, essa escolha chama-se António José Seguro.
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